Circuncisão masculina
Prevenção
Transmissão sexual pelo VIH
Circuncisão masculina

O que é a circuncisão?

A circuncisão masculina envolve a remoção do prepúcio, uma dobra de pele (prega cutânea) que cobre a cabeça do pénis (a glande). O procedimento pode ser feito em qualquer idade. Muitas sociedades praticam a circuncisão masculina há centenas de anos e, a circuncisão, é muitas vezes, vista como uma marca de pertença a uma tribo particular ou a um grupo religioso. Estima-se que um terço dos homens de todo o mundo, sejam circuncisados, embora as taxas variem amplamente em todo o mundo.

A circuncisão e a infecção pelo VIH

Desde os anos oitenta, que os cientistas suspeitam que a circuncisão masculina pode reduzir os números de novos infectados pelo VIH, durante o acto sexual. Eles observaram, que os homens circuncidados tinham menos probabilidade de se infectarem do que os não circundados e, que a infecção pelo VIH é menos comum entre populações que, tradicionalmente, praticam a circuncisão masculina do que em comunidades onde o procedimento é raro. No entanto, não era claro em que medida era um efeito da própria circuncisão ou se outros factores poderiam estar a influenciar estes dados.

Para resolver esta questão, três estudos foram realizados em países da África Subsaariana, em que os três ensaios juntos, envolveram mais de 11.000 homens recém-circuncidados. Cada homem foi distribuído aleatoriamente a uma de duas categorias: num grupo estavam os homens em que tinham sido retirados os seus prepúcios no inicio do estudo e os restantes, pertenciam, ao outro grupo, ou seja, permaneciam os homens que não tinham sido circuncidados. Todos os homens receberam aconselhamento intensivo sobre prevenção em VIH e as técnicas existentes para reduzir a transmissão pelo VIH. Durante os ensaios, os investigadores recolheram informação sobre o comportamento sexual dos homens para verificarem se variava entre os dois grupos, descobriram que não houve diferenças significativas.

Em conjunto, estes resultados fornecem evidências conclusivas de que a circuncisão masculina, realizada de forma segura num ambiente médico, reduz para metade o risco de um homem se infectar com o VIH através de relações heterossexuais.

Como é que a circuncisão previne a transmissão pelo VIH?

Existem várias maneiras em que o prepúcio actua como "ponto de entrada" da infecção pelo VIH durante as relações com penetração entre um homem não infectado e uma pessoa infectada. A superfície interna do prepúcio contem uma proporção mais elevada de células que o VIH ataca, como é o caso das células-T.

Um estudo no Uganda com homens antes e depois de serem circuncidados, concluiu que uma redução das bactérias anaeróbicas pode ter desempenhado um papel na redução da transmissão do VIH. A circuncisão pode reduzir a probabilidade de úlceras genitais, o que aumenta o risco de transmissão. Alem disso, qualquer rasgo, por pequeno que seja, no prepúcio, que ocorra durante o sexo, pode facilitar a entrada do vírus no organismo.

O efeito da circuncisão na transmissão sexual do homem para a mulher

O efeito da circuncisão na transmissão sexual do homem para a mulher não foi suficientemente estudado. Um ensaio que envolveu 922 homens infectados no Uganda descobriu que a circuncisão não reduziu a transmissão do VIH para as suas parceiras não infectadas. Os resultados sugerem que o risco da transmissão do VIH poderia até mesmo ser aumentado em seis semanas depois da circuncisão, devido a feridas provocadas pelo próprio procedimento da circuncisão, ainda não saradas. Outro estudo descobriu que a circuncisão masculina não está significativamente associada com o risco da transmissão do VIH nas mulheres.

Apesar de mais pesquisa ser necessária nesta área, é evidente que estas mulheres irão beneficiar dos programas de monitorização da circuncisão masculina médica voluntária, a longo prazo: programas de circuncisão devidamente efectuados têm o potencial de reduzir a prevalência do VIH entre a população masculina, reduzindo assim o risco de uma mulher se expor ao risco de homens infectados com o vírus. Foi calculado a longo prazo, que um maior número de programas deste género, poderão reduzir a incidência da transmissão de homens para mulheres em 46%.

O efeito da circuncisão na transmissão sexual do homem para homem

A circuncisão masculina também mostrou que reduz o risco da transmissão pelo VIH "apenas" nas relações em que os homens assumem a posição insertiva com outros homens.
Um estudo realizado na Austrália revelou qua a circuncisão estava associada a uma redução significativa de VIH entre homens que têm sexo com outros homens que reportaram uma preferência pela posição insertiva, em vez da recetiva. Outro estudo levado a cabo no Peru e nos EUA concluíram que a circuncisão não trazia benefícios de proteção significativos para a transmissão do VIH nos homens que têm sexo com outros homens. No entanto, poderá ter havido uma redução do risco, significativo, entre os que assumem a posição insertiva.

A implementação da circuncisão como prevenção do VIH

Em Março de 2007, a OMS divulgou os resultados de uma consulta de especialistas para determinar se a circuncisão masculina médica voluntária deveria ser promovida para a prevenção da infeção pelo VIH. Os especialistas - incluindo os representantes dos governos, da sociedade civil, cientistas e organizações não-governamentais - aconselharam que a promoção dos programas de CMMV "deviam ser reconhecidos como uma importante estratégia Uma importante estratégia para prevenir a transmissão, por via heterossexual, do VIH nos homens."

Onde deveria a circuncisão ser promovida para prevenir a infeção pelo VIH?

A ONUSIDA e a OMS, recomendam que:
"Países com alta prevalência, onde as epidemias pelo VIH são generalizadas pela transmissão heterossexual que, atualmente, tenham baixas taxas de circuncisão masculina e, que considerem, urgentemente, monitorizar o acesso aos serviços especializados."

Entende-se por "Alta prevalência" quando os países apresentam taxas acima dos 3% da infeção pelo VIH na população geral, é o caso de muitos países da Africa Subsaariana. Em termos gerais, cerca de 62% dos homens africanos já foram circuncisados mas, na Africa do Sul (a região mais afetada pelo VIH) as taxas andam abaixo dos 20%. Estudos descobriram elevados níveis de aceitação à circuncisão em inúmeras comunidades africanas, desde que o procedimento se faça em segurança, seja acessível e tenha o mínimo de efeitos secundários ou de dor. Alguns países já estavam a sentir os resultados da aceitação à circuncisão antes mesmo dos resultados do Quénia e do Uganda terem sido divulgados.

Com respeito a outras partes do globo, recomenda-se que:
"Em locais onde a prevalência do VIH é baixa na população em geral, incluindo locais onde a infeção pelo VIH é concentrada em populações específicas onde estas estão muitas vulneráveis ao risco de transmissão pelo VIH, como é o caso dos trabalhadores do sexo, utilizadores de drogas injetáveis e homens que tem sexo com homens, poucos benefícios em termos de saúde pública, resultariam da promoção da circuncisão masculina na população geral."

É por isso, pouco provável, que a circuncisão seja fortemente promovida para prevenir a propagação do VIH, fora do continente africano. Em particular, a intervenção não será defendida em países ocidentais, onde a infeção pelo VIH é menos comum e largamente transmitida por via sexual entre homens. No entanto, sugere-se que:

"Poderá haver benefícios individuais para os homens que corram elevados riscos de adquirirem a infeção pela sua heterossexualidade, como é o caso dos homens que estão em relações serodiscordantes e clientes frequentes de unidades de saúde para tratarem infeções sexualmente transmissíveis."

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