A vivência da sexualidade
"Eliopoulos, 2005"
O Impacto do VIH
Pessoas de mais idade
A vivência da sexualidade

As pessoas com mais idade são muitas vezes excluídas ou ignoradas dos programas de educação e de prevenção para o VIH, provavelmente, pelas muitas ideias e mitos generalizados e difundidos à cerca deste tema e por muitos preconceitos à mistura. Falsas crenças de que as pessoas mais velhas não são sexualmente ativas ou que não estejam envolvidas em outras atividades de risco podem desencorajar esforços preventivos. Tristemente, muitos idosos podem, também, ter interiorizado atitudes típicas da idade.

A vida sexual das pessoas mais velhas é muitas vezes minimizada, ignorada e, até mesmo, ridicularizada. Os meios de comunicação contribuem para isso, passando a mensagem de que entre os mais velhos, a atividade sexual é pouco frequente e pouco apetecível. Estudos em Portugal, mesmo que pontuais, revelam que é entre os 70 e os 79 anos que normalmente "cessa a atividade sexual". A maioria dos inquiridos revelou continuar a ter relações depois dos 65, sobretudo os homens.

Na idade maior, o desejo sexual não desaparece, apenas a menor vitalidade física do individuo o impede de ser sexualmente tão ativo. A frequência das atividades sexuais é menor e menos intensa mas mais sensível. Passa-se do domínio essencialmente físico para um domínio mais afetivo. E, ao contrário do senso comum, os idosos mantêm uma atividade sexual regular, "Enquanto o homem viver, seja qual for a sua idade, é capaz de sentir impulsos eróticos, não existindo nenhuma idade em que a atividade sexual, os pensamentos sobre sexo ou o desejo, acabem" (Lopes, 1993).

O que não deixa margem para dúvidas é o aumento do número de casos de pessoas que vivem com o VIH, nas pessoas com mais de 50 anos. Em alguns casos este fenómeno está associado ao aparecimento de fármacos como o Viagra que permitiram aos idosos retomar a sua vida sexual, nomeadamente, recorrendo a trabalhadoras do sexo. Assim como ao facto das campanhas de prevenção serem, essencialmente, dirigidas aos jovens, ficando, por vezes, nos idosos a falsa ideia que a infeção pelo VIH já não os pode atingir.

Outro problema identificado é quando os idosos são institucionalizados, num lar ou numa residência para seniores, e a sua sexualidade é completamente ignorada ou até enxovalhada pela(o)s funcionária(o)s. Instituições onde a sexualidade/intimidade/afetividade é salvaguardada ou incentivada são muito raras. Os estudos realizados (Doll, 2008; Pinho e Pinto, 2008; Egber, 2007; AGS, 2007) indicam que a atitude do quadro técnico dos lares (enfermeiras, ajudantes de lares, assistentes sociais, etc.) e mesmo dos familiares perante a sexualidade dos idosos é de desconforto, escárnio e inibição.

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Um artigo que noticiou um estudo muito completo sobre o comportamento sexual da população idosa nos Estados Unidos, foi objeto de queixas porque a fotografia que o ilustrava - que mostrava duas pessoas idosas a beijar-se - foi considerada nojenta e de mau gosto. Perante estes estereótipos negativos e mensagens "antigas" acerca da sexualidade das pessoas mais velhas, os próprios podem experienciar conflitos sobre o seu desejo e expressão sexual, podem sentir-se embaraçados com a continuidade dos seus interesses pelo sexo e, podem mesmo, evitar procurar informação e apoio que os ajudem a minimizar o risco associado à infeção pelo VIH.

Seria interessante adotar em Portugal o modelo da Dinamarca em que há trabalhadores do sexo especializados em idosos e que fornecem os seus serviços aos mais velhos, no domicílio ou em lares, no âmbito das políticas sociais e de saúde desses países.

Um problema maior é todas aquelas ideias, preconceitos e mitos estarem na cabeça dos profissionais de saúde como é o caso dos Médicos de Família, que por não estarem despertos para estes problemas, não recomendam o teste do VIH às pessoas mais velhas, consequentemente, muitas das infeções, nesta facha etária, não são detetadas atempadamente e, por isso, quando são, o diagnóstico é tardio.

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