Diagnóstico tardio
O Teste e a deteção da infeção pelo VIH
Diagnóstico tardio

Definição de conceitos:

Definição de conceitos
  • A expressão diagnóstico tardio (late presentation) é usada quando uma pessoa desconhece o estatuto serológico para a infeção pelo VIH e não é diagnosticada até que a contagem de células CD4 seja inferior a 350 células/mL ou quando tem uma doença definidora de SIDA, independentemente da contagem de células CD4.
  • A expressão apresentação com doença avançada para o VIH é usada quando uma pessoa é diagnosticada com contagem de células CD4 inferior a 200 células/mL ou quando tem uma doença definidora de SIDA, independentemente da contagem de células CD4.

 

 

O que a ciência nos diz:

O que a ciência nos diz...
  • Com base em dados disponíveis em 2011, 21 países europeus (EU/EEA) identificaram que:
    • 49% de todos os casos de infeção pelo VIH foram diagnosticados tardiamente (27-68%), incluindo 29% com doença avançada.
  • Com base em dados disponíveis em 2011, em 7 países europeus (não EU/EEA):
    • 62% de todos os casos de infeção pelo VIH foram diagnosticados tardiamente (22-76%), incluindo 38% com doença avançada.
  • A apresentação tardia desceu com o passar do tempo tanto na Europa Central como na Europa do Norte entre os homens homossexuais, homens e mulheres heterossexuais, contudo, aumentou nos homens e mulheres que consomem drogas por via injetada (PUDI) na Europa do Sul e na Europa de Leste.
  • As pessoas diagnosticadas tardiamente com infeção pelo VIH têm 6-13 vezes maior probabilidade de desenvolverem SIDA ou de morrerem no primeiro ano após o diagnóstico.
  • Estima-se que até um terço de todas as mortes relacionadas com a infeção pelo VIH são consequência do diagnóstico tardio.
  • Estima-se que 54% de todos os novos casos de infeção pelo VIH têm origem em pessoas que desconhecem o seu estatuto serológico positivo para o VIH.
  • A evidência indica que as pessoas que conhecem o seu estatuto serológico positivo diminuem os comportamentos de risco.
  • As pessoas sob TAR eficaz têm menor probabilidade de transmitir a infeção (um declínio de 96% foi, até ao momento, reportado comparando o início precoce vs. tardio da TAR)
  • Aumento da mortalidade e morbilidade
  • Aumento na transmissão da infeção pelo VIH a pessoas seronegativas para a infeção
  • Aumento do fardo económico nos serviços de cuidados de saúde
  • Risco aumentado de coinfeções
  • Risco aumentado de falência terapêutica
  • As despesas médicas do diagnóstico tardio são até 3,7 vezes mais elevadas do que as despesas do diagnóstico atempado e tratamento. Mesmo após 7 a 8 anos, o diagnóstico tardio é ainda associado a elevadas despesas cumulativas.
  • Estudos indicam que o rastreio do VIH permanece custo-eficaz desde que a prevalência de pessoas não diagnosticadas seja acima de 0,1%.

 

 

Características das pessoas com diagnóstico tardio de infeção pelo VIH:

Características das pessoas com diagnóstico tardio de infeção pelo VIH
  • Na Europa, as características mais comuns das pessoas com diagnóstico tardio incluem:
    • Estatuto de migrante
    • Idade avançada
    • Heterossexualidade (não na Europa de Leste)
    • Viver em áreas com baixa prevalência de infeção pelo VIH
    • Género masculino
    • Ter filhos
  • A prevalência do diagnóstico tardio em qualquer população mais vulnerável depende de inúmeros fatores e varia entre países. Estes fatores incluem:
    • Tendências locais na incidência da infeção
    • Perceção individual de risco
    • Disponibilidade de programas de rastreio e acesso aos mesmos
    • Sensibilização nos locais de cuidados de saúde
    • Leis que descriminalizam PVVIH e populações mais vulneráveis

 

 

Barreiras ao teste do VIH:

Barreiras ao teste do VIH

As barreiras a nível individual variam de país para país – mas as barreiras interculturais incluem:

  • Perceção de risco baixa
  • Medo da infeção pelo VIH e consequências para a saúde
  • Medo de divulgar (preocupações relacionadas com o estigma, discriminação e rejeição)
  • Negação
  • Dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, sobretudo entre a população migrante

As barreiras entre os profissionais de saúde ao rastreio de VIH:

  • Tempo insuficiente
  • Processo de consentimento complexo
  • Falta de conhecimento/formação
  • Requisitos de aconselhamento pré-teste
  • Outras prioridades
  • Pagamento inadequado
  • Baixa perceção do risco por parte da pessoa

 

informação   Estas barreiras conduzem a muitas oportunidades perdidas de rastreio da infeção pelo VIH nos cuidados de saúde.

 

Barreiras a nível institucional/político:

  • Ausência de políticas nacionais/orientações para o rastreio da infeção pelo VIH
    • Um estudo recente revelou que apenas metade dos países europeus têm orientações nacionais para o rastreio de VIH
  • Leis e sistemas judiciais que colocam em risco os esforços feitos na área da prevenção do VIH
    • Leis que criminalizam PVVIH (por não divulgarem o estatuto serológico, exposição e transmissão)
    • Leis que criminalizam trabalhadores do sexo, pessoas que injetam drogas e homens que têm sexo com homens
    • Leis que não protegem PVVIH contra a discriminação

 

 

Ultrapassar as barreiras ao teste do VIH:

Ultrapassar as barreiras ao teste do VIH

Implementação de recomendações nacionais para o teste do VIH

  • De acordo com as orientações europeias, o aumento na cobertura do rastreio do VIH deve ser feito em conformidade com os princípios fundamentais para uma abordagem ética baseada nos direitos humanos
  • A OMS enunciou 10 princípios fundamentais para o rastreio da infeção pelo VIH, incluindo recomendações detalhadas para aumentar o número de pessoas que é testada

Alguns dos princípios são os seguintes...

  • O rastreio de VIH deve ser voluntário e confidencial
  • A generalização do rastreio deve ser feita de acordo com os diferentes locais, populações e necessidades das comunidades
  • A generalização do rastreio da infeção pelo VIH deve ser feita para além dos centros de saúde e deve envolver organizações da sociedade civil
  • O rastreio nos centros de saúde proposto pelos profissionais deve ser implementado quando apropriado
  • Os esforços para aumentar o acesso ao teste do VIH devem ser acompanhados de apoio social, político e legal

Proximidade às populações mais vulneráveis à infeção pelo VIH

  • Muitas populações em risco de infeção pelo VIH têm contacto reduzido com o sistema de saúde. Intervenções especiais desenhadas para estes grupos são essenciais, por exemplo:
    • Centros comunitários de rastreio rápido do VIH
    • Unidades móveis
    • Disponibilização de programas de troca de seringas e agulhas
    • Programas móveis de proximidade liderados por pares para trabalhadores do sexo
    • Devem ser disponibilizadas de forma não moralista
  • Recomendações emitidas por pares são aconselháveis, i.e. desenvolver atividades de sensibilização (para combater o estigma e discriminação, informar os grupos-alvos sobre os comportamentos de risco, referenciação ao rastreio e aos cuidados de saúde)

Normalização do teste

  • Oferecer o rastreio do VIH de forma a que as pessoas o aceitem em vários locais, ou seja, 83% dos pacientes em fase aguda da infeção
  • Muitas vezes, os testes não são oferecidos. A título de exemplo, apenas 43% dos casos de tuberculose são testados para a infeção pelo VIH
  • Variabilidade elevada entre os médicos que oferecem o teste do VIH, ou seja, somente 45 a 88% entre médicos o fazem
  • Teste em modo de rotina leva a um aumento da taxa do rastreio, como por exemplo, nos indica o Reino Unido que em 2010 registou 96% para o rastreio pré-natal

 

 

O desafio:

O desafio
  • O rastreio precoce e alargado, referenciação atempada após o resultado positivo e melhor retenção nos cuidados de saúde são estratégias necessárias para reduzir a incidência do diagnóstico tardio na Europa (e em outros países).
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