Por que se partilham seringas?
O Impacto do VIH
Utilizadores de drogas injetáveis
Por que se partilham seringas?

As pessoas partilham seringas e material para preparação e uso de drogas por razões intrínsecas aos próprios indivíduos e específicas dos seus países. Para muitos UDIs, as seringas esterilizadas não estão facilmente disponíveis e, em alguns países, a legislação relativa aos materiais necessários para preparação e uso de drogas, punem a distribuição ou a posse de seringas salvo para fins médicos. No México foi encontrado uma correlação significativa entre detenções de UDIs por estarem na posse de seringas usadas ou novas, apesar de esta posse ser legal, com os casos recentes de partilha de seringas. Taxas elevadas de partilha de seringas entre UDIs na Rússia foram igualmente associadas com as detenções por delitos relacionados com drogas. Um UDI do estado indiano de Manipur - onde a polícia pode mandar parar e revistar qualquer suspeito de consumir drogas - descreve o receio da lei a como um fator para partilha de seringas: "quando consumimos, precisamos ser rápidos. A polícia pode aparecer a qualquer momento. Por essa razão... não nos importamos de partilhar seringas com outras pessoas."

A falta de consciencialização ou de educação sobre formas seguras de injeção também pode levar à partilha de seringas. Por exemplo, menos de metade de UDIs inquiridos no Afeganistão em 2005/6, em que estavam conscientes dos riscos da transmissão do VIH, sabia que usando uma seringa nova em cada "chuto" por via endovenosa, reduziam a probabilidade da transmissão. Outra razão possível é a partilha ser vista como uma norma social e cultural e ser entendida como uma forma de criação de laços entre os utilizadores.

Cerca de um décimo das novas infeções por VIH resultam da partilha de seringas, proporção que aumenta para um terço se excluirmos a Africa Subsaariana. Um estudo estima que quase um em cada cinco UDIs, em todo o mundo, pode estar infetado pelo VIH. Entre as regiões onde os consumidores de drogas injetáveis representam a maioria ou têm um peso muito significativo nos casos existentes de infeção pelo VIH contam-se:

Europa Oriental e Ásia Central Ásia Oriental e Sudeste Asiático
  • Rússia: 83%
  • Quirguizistão: 75%
  • Cazaquistão: 73,6%
  • Ucrânia: 64,1%
  • Malásia: 72%
  • Indonésia: 54%
  • Vietname: 52%
  • China: 44,3%

Em muitas zonas da Ásia, do Médio Oriente e no cone do sul da América Latina, o material de uso de injeção é a principal via de transmissão pelo VIH.

Em Portugal - Resultados do Relatório 2012: "A evolução do fenómeno da droga na Europa."

As drogas sintéticas estimulantes são uma das principais preocupações das autoridades que vigiam o consumo de estupefacientes na Europa, com mais novas substâncias descobertas já este ano do que durante todo o ano passado.

Esta é uma das conclusões do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), que no seu relatório anual, divulgado hoje em Lisboa, indica que os estimulantes tradicionais, como a cocaína, o ecstasy e as anfetaminas, "competem com um crescente número de drogas sintéticas" como as catinonas.

O ritmo a que são descobertas novas drogas sintéticas é de "quase uma por semana" e só em 2012 já foram descobertas 50, quando em 2011 já tinha sido quebrado o recorde dos anos anteriores, com 49 novas substâncias psicoativas.

"Mais do que nunca, os jovens estão expostos a uma multiplicidade dessas substâncias em pó e em comprimidos", salientou o diretor do Observatório, Wolfgang Götz, acrescentando que os consumidores vêem estas drogas como "intercambiáveis" e compram conforme o preço, a disponibilidade e a pureza, que variam muito.

Uma dessas drogas, a metilanfetamina (ou 4-MA), está na mira das preocupações do OEDT por suspeita de mortes associadas ao seu consumo na Bélgica, Holanda e Reino Unido e por não ser ainda uma substância controlada na maioria dos países europeus.

Wolfgang Götz defende que é preciso "melhorar as análises forenses e toxicológicas" a estes produtos e centrar os tratamentos também nos que procuram ajuda por problemas relacionados com o seu consumo, uma vez que os riscos a eles associados "nem sempre são bem conhecidos pelos consumidores".

Apesar da multiplicação dos estimulantes sintéticos, o OEDT salienta que a cocaína continua a ser a segunda droga mais consumida na Europa - a seguir ao cannabis -, estimando-se que cerca de quatro milhões de europeus (1,2% da população) a tenha consumido no último ano.

O OEDT considera no entanto que a droga está a "perder popularidade e a imagem de droga de estatuto elevado", apoiando-se em dados como a descida do consumo nos cinco países com consumo mais alto: Irlanda, Dinamarca, Espanha, Itália e Reino Unido.

Em Portugal, no período entre 2007-2008 e 2010, o número de consumidores de cocaína a iniciar tratamento pela primeira vez baixou 40 por cento.

Quanto a estimulantes como as metanfetaminas, aumenta a sua disponibilidade na Europa, com o número de apreensões a crescer de 100 para 600 quilos entre 2005 e 2010.

O OEDT salienta que se multiplicam novos e desconhecidos compostos químicos vendidos como "novas drogas", algumas delas no circuito das "drogas legais" ou "legal highs", composto por produtos vendidos em alguns casos como adubos para plantas ou ervas aromatizantes.

No relatório destaca-se o "número recorde" de lojas na internet a vender este tipo de produtos - canabinóides, cogumelos alucinogénios, kratom (um alcaloide) e catinonas (estimulante) são dos mais populares -, com 693 lojas identificadas contra apenas 170 em 2010.

Embora os dados sobre o uso destas novas drogas sejam escassos, um estudo feito no ano passado indicava que cinco por cento dos jovens entre os 15 e os 24 anos já as tinham experimentado.

15 de novembro de 2012
@Lusa

Consulte aqui o Relatório Anual de 2012 »

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