O consumo de drogas e a marginalização
O Impacto do VIH
Utilizadores de drogas injetáveis
O consumo de drogas e a marginalização

As pessoas que consomem drogas injetáveis são talvez o grupo mais marginalizado e em risco de infeção pelo VIH. De acordo com fontes não-governamentais de relatórios para a UNAIDS, apenas 16% dos países têm leis ou regulamentos que protejam os UDIs da discriminação, em comparação com 21% e 26% dos países que prestam proteção aos trabalhadores do sexo e homens que fazem sexo com homens, respetivamente.
Consumir drogas por via endovenosa para fins não prescritos por um médico é ilegal em todo o mundo e a criminalização pela posse e consumo de drogas pode dificultar tentativas de envolver UDIs nos vários serviços disponíveis com intervenção na área do VIH. Foram documentados incidentes com a polícia ucraniana por ter detido e espancado UDIs em locais próximos onde faziam a troca de seringas por estarem na posse de drogas e de seringas esterilizadas. A polícia na Tailândia agiu da mesma forma, apesar da posse de seringas esterilizadas ser legal no país. Estima-se que 40% dos países tenham leis que interferem com a capacidade de alcançar utilizadores de drogas injetáveis.
UDIs que se encontram no lado errado da lei e em confronto com a polícia desconfiam das autoridades em geral e, por isso, hesitam em procurar tratamento ou, em primeiro lugar, em aproveitar das iniciativas de prevenção.

Em Portugal, um bom exemplo, reconhecido por todo o mundo:
No final dos anos 1990, quando o consumo de heroína ocupava as ruas de Portugal, o país decidiu tomar uma medida radical e polémica: descriminalizou o consumo de toda e qualquer droga. O foco da ação do Poder Público deixou de ser a repressão policial ao consumo de entorpecentes, para privilegiar o tratamento de saúde e a assistência social aos usuários. Hoje, o país é elogiado pelas estatísticas que apontam queda no consumo de drogas. Para alguns analistas do fenómeno, a política portuguesa deveria servir de referência para países como o Brasil e outros. No Relatório emitido pela Comissão Global sobre VIH e Lei, em 2012, refere no âmbito das leis e práticas baseadas em provas e nos Direitos Humanos poderiam desenvolver Respostas efetivas ao VIH que os países que tratam os utilizadores de drogas injetáveis como pacientes em vez de criminosos - incluindo a Nova Zelândia, a Alemanha, a Austrália, a Suíça e Portugal - possuem um maior acesso a serviços de VIH e taxas de transmissão do mesmo mais baixas, por entre os utilizadores de drogas injetáveis.

Consumos de crack e o VIH

Embora o crack seja um derivado da cocaína, normalmente, é fumado, mas, também apresenta um conjunto de fatores de risco à infeção do VIH. Embora, a prevalência entre os consumidores de crack seja menor do que entre os UDIs, estudos revelam que as taxas de infeção estão a subir.

Alguns consumidores de crack - forma de cocaína que pode ser fumada - porque utilizam cachimbos de muito má qualidade, sofrem de queimaduras e de bolhas e cortes nos lábios e na boca causadas pelo calor intenso do fumo. O sangue dessas feridas pode contaminar o "tronco" - geralmente um pequeno tubo de metal - e ser passado para o consumidor seguinte. Se dois fumadores tiverem feridas abertas, existe risco de transmissão do VIH ou de hepatite C. O sexo oral também pode ser arriscado para os fortes consumidores de crack que têm feridas orais abertas, devido à possibilidade de transferência de sangue através de sexo oral frequente.
Tal como acontece com outras drogas, o consumo de crack pode levar a comportamentos sexuais de risco. Quando entrevistados, os consumidores de crack em Campinas no Brasil, disseram que era mais provável eles terem sexo desprotegido do que consumidores de cocaína injetável.

O consumo de crack está também mais associado a grupos marginais ou em situações de maior risco, incluindo aqueles que se voltaram para o trabalho sexual para financiar o seu vício. Num grupo de consumidores de drogas no sul da Flórida, 48% das mulheres que fumavam crack, e 54% das mulheres que tanto fumavam crack como injetavam outras drogas, tinham, anteriormente, negociado sexo por dinheiro ou por drogas, em comparação com 29% que só tinham injetado qualquer droga. Os autores deste estudo defendem mesmo que, devido à sua maior prevalência nos EUA, "o consumo de crack representa, para os respetivos consumidores, um risco maior de transmissão do VIH do que o consumo de drogas injetáveis".

Embora os utilizadores de drogas injetáveis constituam um grupo de risco por si só, também há uma sobreposição entre os adictos de drogas e aqueles que estão envolvidos no trabalho sexual. Os indivíduos que se encontram em ambas as categorias, são particularmente vulneráveis ao VIH e são, talvez, duplamente estigmatizados. É difícil identificar a ligação entre o abuso de substâncias e os trabalhadores do sexo mas há uma variedade de fatores que são comuns a ambos, por exemplo, serem sem-abrigo, terem uma vida familiar instável, terem privações socioeconómicas, possuírem pouca escolaridade.

Um estudo em algumas cidades do Reino Unido identificou que 63% das pessoas inquiridas, praticaram trabalho sexual de rua, principalmente, para pagar o consumo de drogas. A heroína era a droga mais utilizada, com 78% a confirmarem o seu consumo, e um pouco menos de metade da amostra tinha injetado drogas no mês anterior.
A ONUSIDA acredita que a propagação do VIH em vários países do Norte de África e do Médio Oriente está a ser facilitado por uma combinação de fatores: o consumo de drogas injetáveis e os profissionais do sexo, onde um terço dos UDIs afirma terem pago para ter sexo ou praticado sexo em troca de dinheiro. Na Síria, 53% dos consumidores de drogas praticaram sexo em troca de dinheiro dos quais 40% dizem que nunca tinham usado preservativo. Um estudo na província de Sichuan, na China, revelou taxas idênticas, onde cerca de 56% das mulheres UDIs inquiridas terem praticado sexo comercial.

Os UDIs que são trabalhadores do sexo colocam-se em risco e também facilitam a transmissão da infeção pelo VIH entre os diversos grupos populacionais. Olhando para a disseminação do VIH entre estes dois grupos de risco em Jacarta, na Indonésia, a Comissão da SIDA na Ásia descobriu que os níveis de infeção começaram apenas a aumentar dentro das redes do sexo comercial após a epidemia, entre os utilizadores de drogas injetáveis, ter atingido níveis significativos.

Comportamentos sexuais de risco relacionado ao consumo de drogas não devem ser considerados apenas dentro dos limites do trabalho sexual. Embora o impacto das drogas sobre o comportamento sexual possa variar pela substancia em questão, pelo consumo, pela identidade sexual e por outros fatores, há uma série de efeitos relacionados ao consumo de drogas que podem influenciar o sexual desprotegido. A transmissão pelo VIH pode ser facilitada entre os utilizadores de drogas e os seus parceiros sexuais, se o consumidor for estimulado sexualmente ou desinibido pelas drogas.

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