A prevenção do VIH no mundo dos TS
O Impacto do VIH
Trabalhadores do Sexo
A prevenção do VIH no mundo dos TS

Concluímos que os TS não estão "universalmente" em risco de se infetarem pelo VIH e, que a situação, varia entre regiões. No entanto, é claro e evidente que em muitos países onde a infeção está a tomar "posição", como é o caso de Portugal, um número elevado de trabalhadores do sexo, estão a ser afetado pelo VIH, e isso, é uma questão muito importante.

Embora os TS sejam severamente afetados pela infeção pelo VIH em muitas partes do mundo, também são um dos grupos mais propensos a responder bem às campanhas de prevenção do VIH.
As campanhas de prevenção destinadas a TS não só se verificaram significativas na redução do número de novas infeções, resultantes de sexo não protegido, como desempenharam um papel vital na restrição da propagação do VIH em países como o Bangladesch, Benin, Camboja, India, Tailândia e República Dominicana.

Como é que as campanhas de prevenção podem ser eficazes?

Olhando e entendendo os problemas por que passam os TS, será mais fácil conseguir maior sucesso nas campanhas de prevenção.

É impossível falar sobre os TS como um grupo com características comuns, pois as pessoas que estão envolvidas, são oriundas de culturas diferentes, têm backgrounds que os diferenciam e, isso, obviamente, trás um impacto, grande, nos seus modos de vida. Do mesmo modo, a exposição à infeção pelo VIH, também é um fator que os pode destacar, dependendo do país em que vivem, se trabalham na rua ou numa casa de alterne, se têm acesso ou não a preservativos, se estão a ser coagidos ou não, entre outras variáveis. Apesar desta diversidade, os TS, geralmente, tem vários fatores que são comuns entre si, podendo aumentar o risco à infeção pelo VIH.

Fatores que potenciam a vulnerabilidade da infeção pelo VIH nos Trabalhadores do Sexo:

Múltiplos parceiros e o uso inconsistente do preservativo

Os TS, geralmente, têm um número relativamente elevado de parceiros sexuais. Isto por si só, não significa, necessariamente, um aumento da probabilidade à infeção pelo VIH, pois se o uso do preservativo for consistente e correto, irão estar protegidos, não importa com quantas pessoas estejam. A realidade, porém, é que os TS e os seus clientes nem sempre usam o preservativo. Em alguns casos, isso ocorre porque os TS ou não têm acesso a preservativos ou então porque não estão despertos para a sua importância. Noutros casos, os TS são simplesmente, incapazes de negociar o uso do preservativo, mesmo que tentem.
Os clientes podem recusar-se a pagar por ter sexo com preservativo e usar da violência e da intimidação para impor relações sexuais desprotegidas. Muitas vezes oferecem mais dinheiro para que isso aconteça, uma proposta que pode tornar-se aliciante e difícil de recusar caso o TS em questão, esteja a necessitar de dinheiro.

Filme gentilmente cedido pela Direção Geral de Saúde, no âmbito do Programa Nacional para o VIH/SIDA

"Muitas vezes, os TS contam-nos que quando pedem ao cliente para usar preservativo, ele oferece o dobro do dinheiro para ter relações sexuais desprotegidas. E, sabendo que muitas destas mulheres e homens, precisam de dinheiro para sustentar os seus filhos e famílias, acabam por aceitar."
Representante de uma ONG

Factores sociais e económicos

Da mesma forma que partilham múltiplos parceiros, os TS muitas vezes, partilham outros fatores nas suas vidas, particularmente, no que diz respeito às suas condições sociais e económicas. Os TS são geralmente, estigmatizados, marginalizados e criminalizados pelas comunidades onde vivem e de diferente formas e, são esses fatores que podem contribuir para se tornarem mais ou menos vulneráveis à infeção pelo VIH. Por um lado, embora o sexo comercial seja legal em muitos países, os TS são raramente protegidos pela lei. Por todo o mundo, existe uma grande falta de legislação e de políticas que os protejam das ações violentas dos seus clientes, por exemplo, um TS que seja violado, geralmente, as hipóteses são muito remotas que o seu atacante seja acusado. A falta de proteção, em alguns casos, permite que os TS estejam sujeitos ao abuso, à violência e, em alguns ambientes é mais fácil que a infeção pelo VIH ocorra. As ONG´s reportam que quase dois terços dos países onde trabalham, têm leis que tornam difícil prestar algum apoio aos TS. Em alguns países, a polícia usa a posse de preservativos como prova de alguém que está envolvida na atividade do sexo comercial, impedindo, assim, os esforços dos TS em se protegerem.

"Para evitar a prisão, que muitas vezes, envolve violência, agressões, estupro e outros traumas, os TS tentam evitar trazer consigo coisas que os possam ligar à indústria do sexo, como por exemplo, andar com preservativos ou ir a centros de saúde fazer check-ups."

Representante de uma ONG

Para além disso, o estigma e a discriminação que os TS enfrentam pode tornar difícil o acesso às unidades de saúde, aos serviços de apoio jurídico e aos serviços de apoio psicossocial. E, sem acesso a esses serviços, a vulnerabilidade à infeção pelo VIH é maior tanto para eles como para os próprios clientes e por sua vez, para os companheiros(as) destes.

"Quando decidi ir ao Centro de Saúde da minha zona residencial, falar com o meu médico de família, os profissionais de saúde foram muito indelicados e, imediatamente, me perguntaram se eu era prostituta, inclusive o próprio médico, que chegou a perguntar-me, assim que entrei no consultório, se eu era seropositiva. Essa atitude desencorajou-me de voltar ao centro de saúde ou a qualquer outra unidade de saúde."

Anónima, TS

Utilizadores de drogas injectáveis

Em alguns países, um grande número de TS também são utilizadores de drogas injetáveis (UDI). Alguns acabam por envolver-se na indústria do sexo como forma de financiar o uso das drogas, enquanto outros, é precisamente o contrário, ou seja, iniciam-se na indústria do sexo e acabam por recorrer às drogas e depender das mesmas. Desde que se soube que a partilha de seringas e de material de uso, é uma das formas de transmitir o VIH, os TS que são UDI's, enfrentam um risco, particularmente, elevado de se infetarem.

Migração, mobilidade e tráfico humano

A migração e o trabalho sexual estão muitas vezes de mãos dadas. Os migrantes pobres que acabam de chegar a um determinado país ou região, recorrem, com frequência, à prostituição porque não encontram alternativas. A falta de dinheiro, o desconhecimento de quem os possa ajudar, a ilegalidade e o desconhecimento da língua, colocam-nos em situações de extrema vulnerabilidade. Mas, o contrário, também acontece, ou seja, os migrantes tornarem-se clientes dos TS, como alternativa à solidão que muitas vezes, acompanha, a migração a que são obrigados pela falta de condições económicas para se sustentarem a si e às suas famílias.
Para além da migração voluntária, existe a migração à força, o que leva ao tráfico humano, em que as pessoas, geralmente, mulheres e crianças, são coagidas a deslocarem-se de região em região.

Campanha das Nações Unidas Coração Azul contra o tráfico de seres humanos, promovida pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), desde o dia 13 de abril de 2012, fazendo com que Portugal seja o quarto país europeu a aderir.

Outra maneira de a infeção pelo VIH, indústria do sexo e mobilidade estarem relacionadas é através do "turismo sexual", onde os clientes viajam entre países à procura de sexo pago. O turismo sexual é o que alimenta os TS em muitos países da Ásia, como a Tailândia e das Caraíbas. Em alguns casos, os clientes atravessam continentes a fim de conseguirem sexo com menores.

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